“Nossa, você é sensível demais”
“Para de surtar!”
“Você está delirando”
“Cadê seu senso de humor?”
“Não aceita nem uma brincadeira?”
“Você está louca”
“Essa reunião é muito técnica para você”
“Mulher tem que se dar ao respeito”
“Mulher no volante, perigo constante”
“Na rua aquela hora, queria mais o que?”
“Essa roupa é muito curta/decotada”
“Ela, que é mulher e tem letra bonita, anota o resumo da reunião”

Com certeza você já ouviu e também já falou uma ou mais frases dessas.

É difícil desconstruir um pensamento e uma cultura que se construiu como se todas essas frases fossem “normais”. Mas, querido leitor, essas frases não são normais. Essas frases são machistas.

Calma! Nós já vamos explicar o porquê.

“Os Detalhes do Machismo – Como perceber?” foi tema do ShareIT, um evento interno que rola aqui na empresa para que as pessoas possam compartilhar e debater assuntos diversos. O evento aconteceu na última sexta-feira (02), para dar início ao movimento de apoio e valorização das mulheres no ambiente de trabalho.

A palestrante da vez fui eu, Carolina Ullian, Analista de Marketing Digital na RedeHost.

A ideia de falar sobre isso partiu no final do ano passado, ao ouvir a palestra de uma amiga e pessoa que admiro muito, Mayra Rodrigues de Souza, e conseguir perceber e definir atitudes machistas.

Para começo de conversa, machismo não acontece só de homem para mulher. Existe muita mulher machista por aí também. E eu era uma delas até pouco tempo.

Depois de começar a entender mais sobre o assunto, eu desconstruí o estereótipo de que o machismo só acontece em atitudes extremas, como por exemplo a violência física contra uma mulher. O machismo acontece diariamente, em ações pequenas, que alimentam uma cultura de hierarquia do homem sobre a mulher.

Começamos com esse vídeo que, na minha opinião, retrata a vulnerabilidade de uma mulher por só existir e querer andar livremente na rua.

Agora, vamos aos pontos:

Vocês já viram machismo disfarçado de humor?

É um dos mais comuns. Ele acontece justamente quando a mulher “tem que entender aquilo como uma piada” (E, claro, precisa rir).
Vocês já pararam para pensar em quantas piadas existem para difamar as mulheres? Seja sua capacidade intelectual, psicológica ou física?

Quantas vezes você já riu de uma piada assim?

Pois é, minha gente…

Seguimos.

Por favor! Isso não acontece só na televisão. Isso acontece com a gente, TODOS OS DIAS. Quantas vezes você, mulher, teve uma fala interrompida por um homem?

Isso se chama Manterrupting, ou Homens que Interrompem.

Comece a prestar atenção nisso, isso nunca é “sem querer”.

Agora, pense na seguinte situação: você, mulher, está em uma reunião. Estão debatendo uma nova solução para determinado produto ou serviço da empresa. Você tem uma ideia que, na sua visão, é muito boa. Você começa a falar. As pessoas te escutam mas não falam nada. Assim que você termina, um homem que está presente e acabou de ouvir tudo que você falou também dá sua ideia. Ele fala exatamente a mesma coisa que você. Nesse momento, as pessoas começam a parabenizar a brilhante ideia QUE ELE TEVE e como aquilo é sensacional.

Isso parece familiar? Isso tem nome e se chama Bropriating: Bro (brother, irmão) + appropriating (apropriando) = quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela.

Homem, por favor, se você está lendo isso, tente ser empático e reconhecer as vezes que você ou algum colega agiu dessa forma.

E Mansplaining? Já ouviu falar? É quando um homem explica algo para uma mulher e fala didaticamente como se ela não fosse capaz de compreender por ser mulher.

Vocês já viram algum homem explicando o que é feminismo para uma mulher ou qual a importância disso? Pois é, minha gente…

Ah, com certeza vocês já ouviram falar em relacionamento abusivo. Certo? (Eu realmente espero que sim e que vocês entendam a gravidade disso!). Quando existe violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a própria mulher e as pessoas ao redor dela acharem que ela enlouqueceu ou é incapaz, é Glaslighting, é machismo, é violência contra a mulher. É uma forma de fazer a mulher duvidar do seu senso de realidade, das suas próprias memórias, da sua percepção, do seu raciocínio e, lamentavelmente, da sua sanidade.

E aquela frase de “ninguém mandou estar na rua a essa hora” ou “isso não é roupa de mulher decente”? Quando julgamos uma mulher por violar as expectativas tradicionais de comportamentos sexuais construídos pela sociedade, é Slutshaming.

Depois de conhecer todos esses conceitos, espero que cada um de vocês consiga olhar para si, para as suas atitudes e perceber quando comete qualquer uma dessas violências contra a mulher.

Eu já tive algumas experiências assim e, cara, não é fácil reagir a isso! Não é mesmo. 

Confesso que falar é muito mais fácil. Mas, mesmo assim, foi um grande desafio falar sobre isso para uma sala lotada, com muitos homens que, até então, nunca tinham parado para refletir sobre machismo, que achavam que era balela ou mimimi.

Depois da última sexta-feira, recebi inúmeras felicitações pela coragem e pela relevância do tema. Mulheres e homens me pararam para falar que começaram a pensar mais sobre isso e levaram essa discussão para casa também.

Acredito que as coisas começam a mudar quando as pessoas estão abertas para ouvir e sair da sua zona de conforto.

Fico feliz por ver que, aqui na empresa, estavam e tive liberdade para fazer! 

O machismo existe, ele está presente diariamente e ele mora nos detalhes.

Depois da conversa, perguntamos para o pessoal aqui da RedeHost o que eles acharam. Confere aí alguns depoimentos:

Elkerton (Desenvolvedor):

“Eu achei muito interessante, principalmente pelos exemplos. O primeiro exemplo que ela deu na palestra, foi quando eu consegui ver o sentimento da mulher quando um homem’ faz uma piadinha e acha que não tem nada a ver, que é uma coisa “normal”. Eu achei interessante que ela conseguiu passar bastante a ideia do que ela queria com a palestra.”

Guilherme Soll (CEO):

“Muito massa! O assunto foi relevante.  Se as pessoas reconhecerem e tomarem a consciência de que ser machista é ruim pras relações de trabalho, vamos gerar um avanço de maturidade nos diálogos. A tendência é que as mulheres não sejam mais interrompidas. Isso vai dar mais paridade nas relações e a tendência é o trabalho de uma mulher ser valorizando porque ela se sobressaiu profissionalmente e não entrar em juízo de valor, menosprezando pelo fato de ela ser mulher.”

Bruna (Gerente de Marketing):

“Achei a palestra excelente. Principalmente, porque ela nos fez pensar no dia a dia, nas pequenas ações, naqueles momentos que, na maioria das vezes, a gente passa sem perceber que presenciou ou que até teve um comportamento machista. A partir de hoje, eu acho que a gente vai ter muito mais reflexão e entender quando a gente está agindo de uma forma machista, ou quando devemos nos posicionar à frente de uma pessoa que está agindo de maneira machista. Então, excelente!”

Léo Souza (Analista de Infraestrutura):

“Achei muito legal a palestra, principalmente por causa dos exemplos. Os exemplos que foram citados acontecem muito e a gente acaba não notando.”

Matheus (Analista de Infraestrutura):

“Achei muito legal e produtivo. Eu me reconheci em várias coisas e momentos em que eu fui machista. Super válido para aprendizado.”

Guilherme Schroder (Analista de Infraestrutura):

“Eu achei bem interessantes os pontos dos conceitos que ela trouxe, mas me deixou com algumas dúvidas que eu vou refletir e pensar sobre isso.”

Phelipe (Gerente de relacionamento):

“Eu achei fantástico. Acho que tocou na ferida. Acho que precisa ter mais rodadas, mais exemplos. A estrutura da temática a mesma, mas com outros assuntos, como racismo e homofobia. Acho que é necessário tocar nesses assuntos com mais frequência. Precisamos mostra na prática, aqui dentro, e não tolerar atitudes machistas, começando pelo nosso ambiente de trabalho. Pelo menos, nesse tempo que estou aqui, esse foi a primeira vez que isso é falado assim, desta forma. É o primeiro passo, que tem que se repetir mais vezes, e tem que bater nessa tecla incansavelmente. A tecla da tolerância. A tolerância e o respeito ao próximo têm que acontecer. Se eu pudesse resumir em uma palavra, seria: incrível!”

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